Se vocês não têm o tempo, sejam o tempo!

O que é o tempo, na realidade da experiência? A duração da nossa existência, entre um nascimento e uma morte, até entre uma concepção e um esquecimento. Então tem somente tempo para e pelo homem. O tempo não é nada sem nos. O tempo é nós.

A árvore cresce, o camelo anda. Mas eles não têm tempo. Porque não têm escolha. Não têm, a sua frente, esse labirinto de possibilidades onde vagar sem fim. Imaginem a paz do galho, tão fundamentalmente imóvel. Vocês poderiam lhes emprestar um pensamento sem criar nenhum problema, porque a impossibilidade do seu movimento o priva de qualquer escolha. Igual ao camelo, que anda em direção a sua comida e seu sono.

Eu não consigo imaginar um pensamento que seria tão satisfeito pela única imagem da cama e do jantar, que nunca pensaria em qualquer outra coisa. Isso é um homem: aquele que prefere o tormento do pensamento, com sofrimento e preocupação, à paz de uma imagem, perfeita e imutável. Ninguém acredita que ele está se divertindo, esquecendo ou escolhendo; ninguém pode desligar essa fábrica de possibilidades e de azar que nós chamamos de pensamento.

Eu estou pensando o tempo todo, issa é minha fatalidade. Minha dignidade e meu problema podem ser sintetizados numa única palavra: eu sou o tempo todo.

Translated by Chloé Galibert-Lainé

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